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22 Ago/2013

Critério Brasil
O aumento da renda da população e a ascensão da chamada “nova classe média” já não refletem o perfil socioeconômico da sociedade brasileira atual. Tendo em vista as necessidades da indústria de pesquisa de mercado e da mídia, os professores Wagner A. Kamakura (Rice University) e José Afonso Mazzon (FEA-USP) desenvolveram um novo modelo de estratificação socioeconômica para o Brasil, que estabelece sete novos estratos, redefinindo as classes socioeconômicas.
O trabalho foi feito em colaboração com a ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa), que passará a utilizar esse novo critério a partir de janeiro de 2014. O novo sistema é retratado no livro “Estratificação Socioeconômica e Consumo no Brasil”, que será lançado em São Paulo nesta quinta-feira (15), às 18h30, na Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi, pela Editora Blucher.
Uma das principais inovações trazidas pelo estudo é a constatação de que a classe socioeconômica não é a mesma para todo o Brasil. Para desenvolver o novo modelo de estratificação, os especialistas em Marketing utilizaram o conceito teórico da “renda permanente”, que indica a capacidade do domicílio de ter e manter certo padrão de vida. Esse conceito de “renda permanente” é mais válido do que a “renda corrente”, que é flutuante, principalmente em termos práticos, segundo os autores. A “renda corrente” é utilizada como a única base para estratificação pelo chamado Critério de Classificação Econômica Brasil.
No novo modelo, a renda corrente mensal confirmada do domicílio entra apenas como um dos vários indicadores da renda permanente, que abrange ainda a educação do chefe da família, o acesso a serviços públicos (água encanada, rede sanitária, rua pavimentada) e o número de bens duráveis, além de considerar mais quatro importantes variáveis que definem a composição familiar (número de adultos no domicílio; número de crianças/adolescentes no domicílio) e a localização geográfica do domicílio (região geográfica; tipo/porte do município). No caso da localização geográfica, as regiões são divididas em três – Norte-Nordeste, Centro-Oeste, e Sul-Sudeste – e o tipo de município em três – Capital-Região Metropolitana, Interior do Estado e Área Rural.
Esse sistema é considerado inovador porque considera o impacto de fatores geográficos (regionais e nível urbanístico) e da composição familiar na estratificação. Em outras palavras, ele reconhece que a mesma renda permanente possibilita a um domicílio com dois adultos, por exemplo, manter um padrão de vida mais elevado do que um domicílio com três adultos e duas crianças.
“O custo de vida de uma cidade no interior da Bahia para um domicílio com a mesma composição familiar é diferente do custo para um domicílio localizado no Rio de Janeiro ou São Paulo. Da mesma forma, famílias morando na mesma cidade, mas com diferente número de pessoas habitando o domicílio, têm necessidades de conforto doméstico e de poder aquisitivo distintas”, esclarece o professor da FEA-USP, José Afonso Mazzon. “Não conhecemos critério de classificação em nenhum outro país que tenha levado em conta essas condições”, ressalta o especialista.
De acordo com os autores do livro, o status socioeconômico é um fator importante para a segmentação de mercados em economias emergentes, porque ele diferencia bem os padrões de consumo entre as famílias. Além disso, ajuda a entender os efeitos das crises econômicas no consumo. Quando se fala que a “classe média” foi afetada pela crise mundial não há uma definição clara e abrangente sobre esse estrato. Os dados utilizados foram da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), realizada em 2009, que se baseou numa amostra nacional de mais de 55 mil domicílios, projetável para a população de domicílios brasileiros.
Padrões de consumo
O livro contém, ainda, uma análise comparativa do padrão de consumo dos sete estratos socioeconômicos. Dois efeitos distintos explicam as diferenças de padrão de consumo entre as classes. Primeiramente, como de praxe, os mais abastados têm mais flexibilidade no consumo devido ao maior orçamento familiar. Porém, os estratos também diferem em suas prioridades de consumo.
“Concluímos que as diferenças na alocação orçamentária se devem mais às diferenças em prioridade de consumo do que às diferentes restrições orçamentárias”, explica Kamakura, da Rice University. “Isso sugere que um aumento de renda nos estratos mais baixos (e consequente aumento em seus orçamentos familiares) teria um impacto estrutural no consumo da sociedade brasileira, porque as prioridades dos estratos mais pobres não são as mesmas que a dos estratos mais ricos.”
O trabalho também identifica diferenças nos padrões de comportamento dos paulistanos em relação a atividades, interesses e estilo de vida, tais como: sair para jantar, leitura de jornais e revistas, opinião sobre aulas de religião nas escolas, navegar e fazer compras pela internet, etc. Mostra ainda as diferenças nos valores que caracterizam os objetivos de vida de uma pessoa: amizade verdadeira/companheirismo, vida próspera/confortável, vida excitante/estimulante, liberdade, felicidade, maturidade no amor, respeito próprio, entre outros.
Resultados
Ao considerar novas variáveis e corrigir os impactos da composição familiar e da localização geográfica dos domicílios nas classes socioeconômicas, a estratificação desenvolvida pelos autores chegou a algumas conclusões, entre elas, a de que fatores como etnia/raça, urbanização, acesso a serviços públicos e quantidade de bens e serviços influenciam a posição de um domicílio na estratificação.
Por exemplo, se o domicílio for chefiado por um adulto asiático ou caucasiano, a chance dessa residência pertencer aos estratos mais altos ou ricos aumenta consideravelmente, principalmente para os asiáticos. Por outro lado, domicílios com chefes mais jovens, ou localizados nas regiões Norte e Nordeste, têm uma tendência a se posicionar em estratos mais baixos ou pobres.
 
Fonte: Info Money
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